bannerrainhadostribunais
Dicas Mais lidas Parcerias Resenhas

Como uma onda no mar

By on 28 de setembro de 2016

RESENHA: A RAINHA DOS TRIBUNAIS X O REI DAS ONDAS – EMILIANA VAZ. Edição Independente. 440 pg. Avaliação 4/5.

Sinopse: “Cristiano é um jovem sonhador de bem com a vida. Seu objetivo, se tornar O Rei das Ondas. Francisca é uma jovem de alma velha, cheia de neuroses e memórias ruins de uma infância tumultuada e sofrida. Seu projeto: se tornar A Rainha dos Tribunais. Mas o destino, ou as suas escolhas, os levam a um encontro explosivo. Totalmente diferentes, o que eles podem ter em comum?”

Quanto vale uma escolha?

A maioria das pessoas procura trilhar caminhos para conquistar seus sonhos. A vida, porém, é cheia de imprevistos. Os caminhos podem ser interrompidos, desviados, desintegrados, como uma onda do mar apagando os escritos na areia

rainhadostribunais

“Não devemos querer mudar algo, nem ninguém. Cada um é como é, e você é perfeita! Aprendi a lição! O que os outros pensam ou esperam de nós, não importa. O que importa é o que temos para oferecer.”

É basicamente sobre escolhas o mote desse romance narrado em terceira pessoa por um narrador onisciente, com linguagem atual. “Basicamente”, não! Porque a vida é uma personagem escorregadia, dura, incompreensível, cruel e maravilhosa. Não tem nada de básico nisso. E elas estão presentes a todo momento, em todos os personagens. e nós sabemos, que por mais opções que existam, elas se dividem em certa e errada, simples assim, difícil em dobro.

Em princípio, pela sinopse, pensei: será mais um romance desses que os protagonistas se odeiam e depois se amam, fim. Não é! Fui surpreendida e logo nas primeiras páginas encarei uma narrativa pesada, histórias impactantes que me causaram indignação e repulsa. Me peguei pensando “uow! Isso aqui me picou e agora eu não posso mais parar de coçar”, e a parte romântica, juro, é mera coadjuvante, sem deixar de ser interessante, claro.

Logo nos primeiros capítulos, acompanha-se a infância de Francisca e sua irmã Letícia. Essa, primogênita, aproveitou os mimos e encantos de sua chegada, as admirações por sua incrível beleza e uma relação parental que extrapolou qualquer limite aceitável. Aquela, amargou rejeições desde o ventre, indiferença e fome, tomando as rédeas de sua existência desde cedo.

As consequências da infância se tornam catalisadores do futuro de ambas. Uma conquistando seus bens e sua fama de maneira meteórica e amargurante. A outra, de forma lenta, conquistando laços e colhendo vitórias decorrentes de seus méritos, com muito estudo e dedicação. Uma, quase não falando com a outra, magoadas com seus respectivos destinos, mas dispostas a vencer.

Como seria enfrentar glórias e abusos, conhecer a fome e o luxo estremo, viver da luxúria e do pesar, conhecer o amor verdadeiro e perder a vida por isso? Essa é Letícia.

Como seria sobreviver a várias tentativas de infanticídio, passar fome e frio sob o mesmo teto onde a irmã comia e deleitava-se de regalos, não possuir nada nem ninguém e depois de muito suor, quando estiver a um passo de conquistar seu maior sonho, ter de escolher entre ele e a família que sempre a desprezou? Essa é Francisca.

Francisca faz a sua escolha e obtém sucesso. Se torna a Rainha dos tribunais. Mas o castelo é de cartas, e o jogo à sua volta não é menos traiçoeiro que um blefe de pôquer.

A consequência de sua escolha atinge os sonhos de Cristiano, um jovem surfista promissor, que a duras penas se faz responsável por uma vidinha iluminada que caiu no seu colo.

O destino de Cris e Chica é conflituosamente cruzado. Quando tudo parece bem, o vento sopra e as cartas caem. Mas Neca (apelido da sobrinha deles, que parece uma boneca) é o ponto de equilíbrio da história. É uma criança encantadora, uma luz no fim do túnel.

Com uma quantidade impressionante de personagens bem desenvolvidos em núcleos paralelos e seus conflitos independentes e envolventes, esse livro seria melhor classificado como novela. Cada nova fase das tramas complexas podem ser visualizadas como um folhetim de Manoel Carlos. Cenas de investigação, julgamentos, faculdade; núcleo de renda baixa e alta, figurões e celebridades; conflitos de família, de amizade, de gênero, de opção sexual; pensionato, boates, litoral e mar de asfalto… A obra é completíssima.

Como a publicação é independente, a obra chegou até mim pelo contato direto com a autora nas redes sociais. Espero que as editoras um dia conheçam a Emiliana Vaz e possam levar suas histórias a uma quantidade maior de pessoas. Isso se a Rede Globo não a encontrar antes!

escritonaareia

TAGS

4 de outubro de 2016

RELATED POSTS
rezadeira-carlos-rodrigo
Pode Começar A Rezar

8 de março de 2017

Cala a boca

4 de março de 2017

bannaer LVA
#LVA Literatura Verde e Amarela

23 de fevereiro de 2017

6 Comments
  1. Responder

    Paty

    28 de setembro de 2016

    Só tenho algo a dizer.
    Totalmente convencida com essa resenha.
    Perfeita amiga.
    Arrasou.
    Beijos
    Paty (leiturasplus.blogspot.com)

    • Responder

      Cilene Resende

      28 de setembro de 2016

      Que bom!
      Não vejo hora de você ler pra podermos conversar sobre, com muito spoiler e tals. hahahaha
      Mil beijos!

    • Responder

      Emiliana Vaz

      5 de outubro de 2016

      Ela convenceu até a mim e também me mostrou algumas verdades sobre a minha escrita que levarei para sempre!
      Sou muito grata!
      ?☝?

  2. Responder

    Carlos Rodrigo

    1 de outubro de 2016

    Não é meu gênero favorito. Apesar disso, gostei da resenha e conheço a quem recomendar a leitura.
    Grande abraço, Cilene!

    • Responder

      Cilene Resende

      2 de outubro de 2016

      Obrigada por prestigiar, Carlos Rodrigo!
      Beijos

    • Responder

      Emiliana Vaz

      5 de outubro de 2016

      Oi Carlos!

      Realmente, quando escrevi minhas histórias não imaginei homens lendo. ?Até por ser um estilo diferente mais voltado para algumas mulheres que como eu gostam. Mas estou tendo boas surpresas.
      Agradeço por indicar.
      Cilene é Top nas resenhas!

LEAVE A COMMENT

CILENE RESENDE

Meu nome é Cilene Resende, 31 anos, sou de Maringá-PR. Ler não se trata de uma simples paixão na minha vida; ler é um dos meus vícios mais prazerosos. Seja bem-vindo ao Meu Vício Literário.